Estamos numa era de extrema valorização de celebridades, de muita exposição e é raro encontrar quem consiga, ou queira, fugir dos holofotes. A maioria quer participar, ser vista, ser ouvida e são as redes sociais as responsáveis por transformar este desejo em possibilidade real. Estes canais são uma nova maneira de existir, de se mostrar, de ter alguma voz e importância no mundo fugindo ao pior castigo da nossa era: o anonimato.
Hoje o limite entre o público e o privado é tão tênue que podemos dizer que estamos revivendo a Etiqueta do Antigo Regime, a mesma do século 16 na corte Versalhes do Rei Luis 14, o Rei Sol. Então, não existia diferença entre o espaço público e privado. A prova foi a célebre frase que ele deixou para a história: “O Estado sou Eu”.
O rei acordava com a corte inteira em seu quarto e ia ao banheiro acompanhado; a rainha tinha filhos na frente de todos e discutia seus relacionamentos e sua vida íntima como programa de governo. Como faz muita gente no Twitter hoje, não é mesmo?
Naquela ocasião, esta prática tinha uma razão de ser: era como o rei exercia seu poder conhecendo cada gesto de seus súditos e assim dominando a Corte. Já hoje, há apenas a vontade de ter um lugarzinho ao sol e fugir da solidão tendo também uma pequena Corte - no caso, os seguidores e amigos virtuais - e de partilhar com eles cada passo da vida. Até nas coisas mais insignificantes como “Estou com calor”, “Cheguei no escritório” – como se alguma dessas informações fossem interessantes a alguém!
A primeira coisa a lembrar na questão da netiqueta é que qualquer post em uma rede social não é igual a uma conversa particular, com algum amigo, porque se trata de um espaço público. Está na internet, então está para todo mundo! Cada palavra, cada foto, cada link, faz parte de um perfil que você está fornecendo para quem quer que seja. Um perfil que pode ser usado como instrumento online de avaliação para contratações profissionais, por exemplo.
Cabe aqui uma ressalva para quem está procurando um primeiro emprego: as informações presentes no seu perfil online são ainda mais delicadas, pois não há ainda no seu currículo experiência profissional para contrabalançar qualquer informação tola que apareça na internet. As pessoas que já estão no mercado de trabalho estão ao menos garantidas por um currículo que comprova sua competência.
Portanto, ao se jogar no Facebook ou no Twitter vá com calma; domine bem sua tecnologia e saiba usá-la aproveitando seus recursos de privacidade e proteção.
Fonte: Glória Kalil